quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Malesch, o Krautrock vindo do oriente.

Alemanha, primeira metade dos anos 70, a banda Agitation Free lança um dos melhores discos alemães da história do rock. Malesch, com sua sonoridade única é um disco que pode ser ouvido diversas vezes e cada vez se torna mais prazeroso, um disco pra tocar fundo na alma!
Ainda nos anos 60, a juventude germânica, influenciada pela música de vanguarda erudita, música concreta e música eletrônica , se delicia com o rock psicodélico e contracultural vindo do Reino Unido, principalmente de bandas como Jimi Hendrix Experience e a fase Barrett do Pink Floyd. A nova onda de experimentalismo agitou os jovens que viviam presos num pós-nazismo que criou uma geração que queria se libertar desse estigma e viver livre. A forma que a juventude alemã encontrou de produzir seu psicodelismo foi não negar suas raízes e produzir um som que amalgamasse o rock britânico com o experimentalismo da música alemã de vanguarda. Resultado: bandas absurdamente criativas surgiram formando um novo estilo, o Krautrock.
O termo Krautrock, apesar de não ser um termo querido pelas bandas, compreende todas as bandas que buscavam fazer rock de vanguarda e psicodélico no fim dos 60 e início dos 70. Não é, portanto, um termo que encerra um estilo musical fechado em características reconhecíveis e padronizadas, mas sim um estado de espírito de compor algo lisérgico, cósmico, eletrônico e vanguardista à maneira alemã. Sendo assim, bandas díspares em sonoridades são comuns dentro do Krautrock. 
O Agitation Free é um exemplo de sonoridade única. Eles mesclavam passagens jazz, rock psicodélico e seu principal diferencial: Música étnica. Malesch de 1972, seu primeiro disco, foi fruto de uma viagem da banda pela Grécia, Chipre e Egito. 
O que se encontra nesse disco é um som denso, envolvente, agressivo, hipnótico e climático. A parte de influência árabe no som não o torna menos rock e agressivo, pelo contrário, ele souberam dosar bem as influências diversas criando um som rico e consistente em meio aos sintetizadores poderosos, guitarras criativas e um jogo percussivo contagiante. As viagens instrumentais estão bem equilibradas garantindo uma audição envolvente. Esse disco, diga-se, é um ótimo exemplo de coesão sônica. Tudo feito no seu devido lugar com absurdo equilíbrio. 
Se você tem algum tipo de preconceito contra rock misturado com música étnica, pode ficar tranquilo que esse disco todas as vertentes envolvidas jogam a favor do rock psicodélico. Ouvir esse disco com som alto é uma das melhores experiências do mundo do rock. Não ir atrás dele, é reconhecer que o rock não é a sua praia.

Ficha:

Michael "Höni" Hoenig - sintetizadores, teclados.Peter Michael Hamel - teclados.Jorg Schwenke - guitarra.Michel Günter- baixo. Burghard Rausch - bateria, teclados, voz.Lutz "Lüül" Ulbrich - guitarra, teclados. Uli Pop- bongos.

Faixas:
1. You Play For Us Today (6:08)
2. Sahara City (7:42)
3. Ala Tul (4:50)
4. Pulse (4:43)
5. Khan E Khalili (8:10)
6. Malesch (8:10)
7. Rucksturz (2:09)


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